Por que o sequestro voltou a ser realidade cotidiana em Goiás?

Os sequestros continuam crescendo em Goiás, como demonstram as estatísticas oficiais

De acordo com a própria Segurança Pública do Estado a respeito dos crimes cometidos em 2017, o total de sequestros subiu 80% na capital, em 2017 e segue a escalada: apenas nos primeiros meses de 2018 já ocorreram 65 casos. 

Diante da impotência da polícia, cada vez mais sucateada e desmotivada, o atual governador e ex-secretário de Segurança José Eliton (PSDB) tenta passar uma sensação de que as coisas estão melhorando, nem que seja até a eleição, mas o discurso e a propaganda não encontram respaldo da realidade. No balanço de 18 meses publicado no final do ano passado, o sequestro ficou de fora, por não ser uma das 12 naturezas criminais tratadas como prioridade pelo Governo de Goiás. Quem escolhe que natureza de crime é prioridade? 

Infelizmente a violência contra a mulher também não é prioridade. Levantamento do Panorama da Violência Contra as Mulheres no Brasil, publicado pelo Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal aponta Goiás como o 2º mais violento com taxa de 8,4 homicídios por 100 mil mulheres, o número é superior à média nacional, de 4,6 homicídios por 100 mil mulheres. Goiás fica atrás apenas de Roraima, que teve taxa de 9,5 para cada 100 mil mulheres.

No geral, o caos de hoje vem desde 1999 quando de lá para cá mais de 30 mil pessoas foram exterminadas, um aumento de 230%. Goiás, que era o 18º mais violento do país, chegou a ocupar a 4ª posição entre as unidades da federação onde mais se mata e continua soberano no top 5. São mais de 40 homicídios por cada grupo de 100 mil habitantes. O aceitável, segundo a OMS, são 10 mortes por cada 100 mil moradores. Acima disso é considerado epidemia.

Além de tudo, persiste o incrível hábito da polícia de evitar registrar corretamente, nos boletins de ocorrência, os casos de seqüestro-relâmpago, aqueles em que bandidos mantêm as vítimas em seu poder por algumas horas para usarem cartões de crédito ou de bancos. Quando a vítima recorre a uma delegacia para prestar queixa, ou conseguem a sorte de contatar o 190 o caso fica anotado como simples roubo e não como seqüestro, o que, sem dúvida deturpa as pesquisas oficiais. Isso sem falar nas famílias que ficam sob controle de bandidos dentro da própria casa por horas e são registrados como roubo em residência. 

O medo e a indignação tomaram conta do cidadão goiano. Chegamos ao que podemos chamar “fundo do poço”. A sensação de insegurança e a violência de fato têm atormentado a população de Goiás e chegam a níveis que causam verdadeiro pânico às famílias do Estado.
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